Pra que chorar

Pra que chorar

Pra que chorar
Se o sol já vai raiar
Se o dia vai amanhecer
Pra que sofrer
Se a lua vai nascer
É só o sol se pôr
Pra que chorar
Se existe amor
A questão é só de dar
A questão é só de dor

Quem não chorou
Quem não se lastimou
Não pode nunca mais dizer
Pra que chorar

Pra que sofrer
Se há sempre um novo amor
Em cada novo amanhecer

 

Vinícius de Moraes / Baden Powell * imagens acima.

Obs: No álbum “Amália e Vínicius” de  1968, o poetinha dá o seguinte depoimento sobre esta música, sobre os bastidores. É interessante. Palavras de Vínicius conforme gravação:

“Eu estava numa clinica chamada clínica São Vicente onde todo ano eu me interno pra me desintoxicar, pra botar o fígado em ordem. E aí, de madrugada, o Baden (é um samba com Badem Powell né? A musica é dele) eu comecei a trabalhar no samba, que seria o que? Duas ou três horas da manhã. E aí eu tava trabalhando, fazendo o samba, né? Aí eu comecei a escutar um chorinho assim, sabe? Um chorinho, parecia um chorinho de velhinha. Aquele chorinho manso, sabe? Então eu saí do meu quarto, fui ao quarto ao lado e tava uma porta entreaberta.  E tava um velhinho morrendo, sabe? Mas um macróbio, assim, sabe? O velhinho devia ter 80 anos.  E uma porção de velhinhas em volta dele, devia ser as irmãs, talvez, sabe? Aquela morte humilde, né? Tranquila. Aí, eu voltei pro meu quarto e entrei naquela fossa e disse assim ‘poxa, não vou fazer meu samba né? Porque, respeitar a morte deste velhinho né?’. Mas aí o samba era mais forte do que a morte do velhinho, compreende?Aí eu escrevi o samba todo e então aconteceu uma coincidência maravilhosa, né. É que, quando acabei o samba, o velhinho morreu, né. Param aqueles chorinhos, sabe? Aqueles choros daquelas velhinhas. Aí eu saí do meu quarto fui lá, o velhinho tinha morrido, sabe? Estavam aquelas velhinhas todas ajoelhadas, rezando, sabe? E me deu uma espécie duma paz, compreende? Parecia que cada um tinha feito o seu dever. Foi uma coisa muito linda mesmo, sabe? O velhinho tranqüilizou… E o samba diz o contrário de tudo, é um samba afirmativo.”

 

 

 

Sobre anaylop

Sou um instantâneo das coisas apanhadas em delito de paixão a raiz quadrada da flor que espalmais em apertos de mão. ... Sou uma impudência a mesa posta de um verso onde o possa escrever "A defesa de um poeta" N. Correia
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